Terceiro pedido de impeachment contra Osmar Stabile é protocolado no Corinthians

O presidente do Corinthians, Osmar Stabile, voltou a ser alvo de um pedido de impeachment. A nova representação foi protocolada nesta quarta-feira (17) no Conselho Deliberativo do clube pelo associado e juiz de Direito Leandro Jorge Bittencourt Cano, que questiona a conduta do mandatário em um processo criminal envolvendo o vice-presidente Armando Mendonça.

Foto: Rodrigo Coca/ AG Corinthians

O requerimento tem como base uma manifestação recente do Ministério Público de São Paulo nos autos da ação penal que investiga o desaparecimento de materiais esportivos fornecidos pela Nike ao Corinthians. Mendonça foi denunciado pelos crimes de apropriação indébita tentada, furto qualificado e coação no curso do processo.

A controvérsia surgiu após a defesa do vice-presidente anexar ao processo uma declaração assinada por Stabile. No documento, o presidente afirma que uma auditoria interna não identificou desvio ou apropriação de materiais esportivos e que o Corinthians não havia se posicionado oficialmente como vítima de eventual crime patrimonial.

A manifestação foi duramente criticada pelo promotor de Justiça Cássio Roberto Conserino. Para o representante do Ministério Público, a postura adotada pelo presidente não condiz com a esperada de um dirigente que representa uma instituição potencialmente prejudicada pelos fatos investigados. O promotor ainda apontou uma aparente convergência de interesses entre Stabile e o denunciado, entendimento que foi incorporado ao pedido de impeachment.

Segundo Leandro Cano, a questão ultrapassa divergências políticas internas e ganha relevância pelo fato de as críticas partirem do próprio órgão responsável pela condução da acusação criminal. O associado sustenta que o presidente teria utilizado a estrutura institucional do clube para favorecer interesses particulares, comprometendo a defesa do patrimônio e da imagem do Corinthians.

No documento encaminhado ao Conselho Deliberativo, Cano argumenta que a conduta pode configurar gestão temerária e eventual descumprimento dos deveres estatutários atribuídos ao cargo. O pedido também destaca possíveis impactos na credibilidade da instituição perante sócios, patrocinadores e a opinião pública.

A representação solicita a abertura formal do processo de impeachment, o encaminhamento do caso à Comissão de Ética e Disciplina e a notificação de Osmar Stabile para apresentação de defesa.

Este é o terceiro pedido de impeachment protocolado contra o atual presidente desde que assumiu o comando do Corinthians após a destituição de Augusto Melo. Os dois requerimentos anteriores tratam de questionamentos relacionados ao acordo firmado com a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional para renegociação de dívidas tributárias e à contratação de empresas de segurança privada durante a atual gestão.

Em manifestação apresentada à Justiça nesta semana, o Ministério Público reforçou as críticas à atuação de Stabile e defendeu que, em eventual participação do Corinthians como assistente de acusação no processo, a representação do clube não fique sob responsabilidade do presidente, mas sim do presidente do Conselho Deliberativo, Romeu Tuma Júnior. O promotor também informou que encaminhará cópia do documento ao inquérito civil que apura possíveis irregularidades administrativas no clube.

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