O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) analisa a possibilidade de intervir judicialmente no Corinthians após o envio de uma representação à Procuradoria Geral de Justiça que questiona a regularidade da aprovação das contas referentes ao exercício de 2025. O pedido, apresentado pelo promotor Cássio Roberto Conserino, sugere a abertura de inquérito civil para apurar indícios de irregularidades na condução do processo interno do clube.

Foto: Reprodução/Corinthians
Segundo o documento, a análise das demonstrações financeiras teria sido marcada por falhas relevantes, incluindo vícios procedimentais, problemas de governança e possíveis sinais de gestão temerária. Apesar de se tratar de uma entidade privada, a argumentação ressalta a importância social, histórica e cultural do Corinthians, o que, na visão do promotor, legitima a atuação do poder público com base na proteção ao patrimônio cultural prevista na Constituição Federal.
A representação também menciona entendimentos do Supremo Tribunal Federal (STF) que estabelecem limites à autonomia das entidades esportivas, sobretudo em situações que envolvam possíveis ilegalidades ou impactos a interesses coletivos.
Entre os pontos levantados, estão questionamentos sobre a atuação dos órgãos internos responsáveis pela fiscalização das contas. No Conselho Fiscal, há indicação de possível irregularidade na condução da reunião que analisou o balanço, já que teria sido presidida por um dirigente afastado cautelarmente, além de dúvidas relacionadas ao quórum necessário para deliberação.
No Conselho de Orientação, o parecer favorável com ressalvas é criticado por suposta falta de aprofundamento técnico, enquanto o Conselho Deliberativo aprovou as contas mesmo diante de manifestação contrária de sua Comissão de Finanças, o que levanta dúvidas sobre a consistência da decisão.
A auditoria independente também teria apontado inconsistências relevantes, como distorções contábeis envolvendo a Neo Química Arena, falhas no controle de receitas e adiantamentos, além de ausência de transparência na mensuração de passivos. Outro ponto destacado é a possível antecipação de receitas futuras no balanço de 2025, prática que pode ter impactado artificialmente os resultados apresentados.
O promotor ainda questiona a utilização do modelo de “aprovação com ressalvas”, alegando que a modalidade não está prevista no estatuto do clube e pode dificultar a responsabilização em caso de irregularidades.
Diante desse cenário, o Ministério Público avalia não apenas a abertura de investigação formal, mas também a adoção de medidas judiciais, como a anulação da aprovação das contas e, em caráter excepcional, a intervenção no clube com eventual nomeação de um gestor provisório. O caso também pode ser vinculado a um procedimento já em andamento que trata de temas semelhantes.
A avaliação apresentada na representação aponta para fragilidades nos mecanismos internos de controle do Corinthians, com falhas recorrentes de governança que, segundo o promotor, podem justificar ações mais rigorosas para assegurar a transparência e a regularidade administrativa da instituição.
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