O Corinthians enfrenta mais um episódio de instabilidade política nos bastidores. Nesta segunda-feira (13), Romeu Tuma Júnior anunciou seu licenciamento, por tempo indeterminado, da presidência do Conselho Deliberativo após a suspensão judicial da Assembleia Geral que votaria a reforma do Estatuto do clube.

Foto: Evander Portilho / Ag. Corinthians
O encontro estava marcado para o dia 18 de abril, no Parque São Jorge, mas foi barrado por decisão liminar após ação movida pelo conselheiro Felipe Ezabella, membro do Conselho de Orientação (Cori). Segundo Tuma, a medida faz parte de uma articulação política para impedir que os associados deliberem sobre mudanças estruturais no clube.
Em comunicado, o dirigente fez críticas diretas ao presidente Osmar Stabile, acusando-o de atuar nos bastidores para inviabilizar a votação. Tuma aponta que a diretoria teria antecipado prazos processuais e concordado com o pedido judicial que resultou na suspensão da Assembleia, o que, segundo ele, evidencia alinhamento para barrar o processo.
Diante do cenário, Tuma afirmou que decidiu se afastar para não ser “instrumento” da disputa política e retirar qualquer justificativa para o adiamento da votação. Com isso, o vice-presidente do Conselho Deliberativo, Leonardo Pantaleão, assume o comando do órgão de forma interina.
A Assembleia Geral tinha como objetivo discutir a reforma do Estatuto Social, que prevê mudanças relevantes, como a adequação à Lei Geral do Esporte, a possibilidade de voto para membros do programa Fiel Torcedor, regras para eventual implementação de uma Sociedade Anônima do Futebol (SAF), além de ajustes na estrutura do Conselho e em mecanismos de governança e responsabilidade financeira.
O processo de reforma, no entanto, vem sendo marcado por impasses desde o fim de 2025. À época, conselheiros alegaram falta de acesso ao texto completo, o que levou ao adiamento da votação e à realização de 11 audiências públicas ao longo de 2025 e 2026 para debater o conteúdo.
Em março deste ano, uma nova reunião do Conselho terminou sem deliberação após troca de acusações entre Tuma e Stabile, ampliando o clima de tensão. Dias depois, o presidente do clube solicitou o afastamento de Tuma à Comissão de Ética, além de convocar reunião extraordinária que aprovou o afastamento provisório do dirigente, medida não reconhecida pelo próprio Tuma nem por Pantaleão.
O conflito também chegou à esfera judicial. Tuma denunciou Stabile e o diretor-adjunto jurídico do clube ao Ministério Público de São Paulo por supostas irregularidades, enquanto documentos do caso passaram a ser analisados pelo promotor responsável, que avalia a abertura de inquérito civil.
Com a suspensão da Assembleia e o afastamento do presidente do Conselho, o Corinthians vê aumentar a incerteza sobre o andamento da reforma estatutária e a condução política do clube nos próximos meses.
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