O Corinthians voltou a enfrentar problemas relacionados às suas obrigações financeiras. O clube não conseguiu cumprir o prazo estabelecido para o pagamento de uma parcela em atraso junto à Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD), órgão ligado à Confederação Brasileira de Futebol (CBF). O compromisso havia sido assumido pelo próprio Alvinegro em comunicação enviada à entidade no dia 16 de junho.

Foto: Rodrigo Coca/Agência Corinthians
Diante do novo atraso, o Cuiabá, principal credor do Corinthians dentro do acordo firmado na CNRD, apresentou nesta terça-feira (1º) um pedido para que as punições contra o clube sejam mantidas. Entre as solicitações estão a continuidade do transfer ban, a aplicação de uma multa e o bloqueio de eventuais receitas ou premiações que o Timão venha a receber da CBF.
Na manifestação encaminhada à Câmara, o clube mato-grossense argumentou que o Corinthians já havia descumprido anteriormente o cronograma estabelecido e, mesmo após conseguir uma postergação e assumir uma nova data para quitar o débito, não conseguiu realizar o pagamento.
A dívida do Corinthians com o Cuiabá ultrapassa R$17 milhões. A maior parte do valor está relacionada à contratação do volante Raniele, realizada em janeiro de 2024. O débito também inclui valores ligados à negociação do atacante Jonathan Cafu e despesas envolvendo o técnico Antônio Oliveira.
Procurada pelo ge.globo, a diretoria corinthiana reconheceu que, neste momento, não possui recursos suficientes para cumprir as parcelas previstas no acordo. O clube também não apresentou uma previsão para a regularização da pendência.
A situação financeira do Corinthians ganhou ainda mais atenção nesta terça-feira (1º). Em balanço divulgado pelo próprio clube, o Alvinegro informou um déficit de aproximadamente R$246 milhões apenas nos primeiros 6 meses de 2026. O resultado ficou cerca de 78% acima do que havia sido projetado para o período.
O acordo entre Corinthians e CNRD foi homologado em abril de 2025 e estabeleceu um plano para o pagamento de aproximadamente R$76 milhões. A dívida foi organizada em parcelas trimestrais, com previsão de quitação ao longo de 6 anos.
Dentro desse modelo, 80% de cada parcela paga pelo Corinthians é direcionada ao principal credor, o Cuiabá. Os outros 20% são destinados ao pagamento de honorários advocatícios.
O acordo foi criado em meio a uma série de pendências financeiras acumuladas pelo clube e tinha como objetivo organizar os débitos e evitar novas sanções esportivas. No entanto, os atrasos voltaram a colocar o Corinthians em situação delicada diante da CNRD.
Além da punição relacionada à CNRD, o Corinthians atualmente convive com outros dois transfer bans impostos pela Fifa. Ao todo, são três restrições que impedem o clube de registrar novos jogadores e representam aproximadamente R$22 milhões em débitos.
As punições internacionais estão ligadas a pendências envolvendo as contratações dos volantes José Martínez e Charles, realizadas em 2024. Já a sanção aplicada pela CBF está relacionada justamente ao não pagamento de uma das parcelas previstas no acordo com a CNRD, avaliada em cerca de R$8 milhões.
Internamente, a diretoria corinthiana já trabalha com a possibilidade de não conseguir derrubar as punições no curto prazo. A prioridade financeira do clube, neste momento, está voltada para a regularização de valores atrasados referentes a direitos de imagem e premiações dos elencos masculino e feminino.
Com uma dívida total estimada em R$2,8 bilhões, o Corinthians atravessa mais um momento de forte pressão financeira. A dificuldade para cumprir os compromissos assumidos amplia as restrições esportivas e reduz ainda mais a margem de manobra da diretoria para reforçar o elenco.
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