A SAFiel, iniciativa que propõe a transformação do futebol do Corinthians em uma Sociedade Anônima do Futebol (SAF) com controle pulverizado entre torcedores, encaminhou uma nova Carta de Intenções Não Vinculante à diretoria do clube. O documento foi entregue no último dia 2 de junho ao presidente Osmar Stabile e também enviado aos principais órgãos deliberativos do Timão.

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Desenvolvido pela Invasão Fiel S.A., o projeto argumenta que a delicada situação financeira vivida pelo Corinthians exige uma análise prioritária da proposta. Segundo os idealizadores, o endividamento do clube já ultrapassa R$2,8 bilhões e segue em trajetória de crescimento, comprometendo parte significativa das receitas anuais com o pagamento de juros e obrigações financeiras.
A SAFiel destaca que o aumento constante da dívida, somado aos déficits registrados recentemente, à antecipação frequente de receitas e à necessidade recorrente de negociar atletas para equilibrar o caixa, evidencia a necessidade de discutir alternativas estruturais para o futuro do futebol alvinegro. O grupo também menciona como fatores preocupantes a dívida da Neo Química Arena, as sanções recentes aplicadas pela FIFA, o crescimento das obrigações vinculadas ao Regime Centralizado de Execuções (RCE) e possíveis impactos decorrentes das regras de fair play financeiro.
Para os responsáveis pelo projeto, uma eventual recuperação judicial não seria suficiente para solucionar a crise financeira do clube, principalmente por não abranger a totalidade das obrigações existentes. Como alternativa, a proposta defende um modelo de SAF com participação popular, preservando a identidade do Corinthians e evitando a concentração do controle nas mãos de um único investidor.
A estrutura sugerida prevê a transferência integral das atividades relacionadas ao futebol para a nova sociedade, incluindo direitos econômicos de atletas, contratos comerciais, ativos de infraestrutura, marcas e passivos ligados ao departamento. A expectativa é captar inicialmente R$2,5 bilhões, valor que poderá chegar a R$3 bilhões caso haja demanda superior à prevista.
De acordo com a proposta, os recursos arrecadados seriam direcionados prioritariamente à reestruturação financeira do clube, contemplando renegociação de dívidas, investimentos no elenco profissional, categorias de base, infraestrutura, tecnologia e aprimoramento dos mecanismos de governança. O plano também prevê um aporte inicial de até R$50 milhões ao clube social.
Em contrapartida, o Corinthians manteria participação acionária na nova empresa e receberia royalties pela utilização de sua marca e identidade institucional, estimados em aproximadamente R$600 milhões ao longo de 10 anos. Além disso, o clube teria direito a uma remuneração equivalente a 2% do valor total captado pela operação.
Um dos pilares do projeto é a participação direta da torcida. As ações ordinárias, que garantem direito a voto, seriam exclusivas para torcedores corinthianos, com investimento mínimo de R$250. Para evitar a concentração de poder, cada CPF poderia deter, no máximo, 2% do capital votante. Já investidores institucionais, caso necessários para complementar a captação, participariam apenas por meio de ações preferenciais sem direito a voto.
A proposta também estabelece mecanismos para preservar a identidade histórica do Corinthians. O clube teria direito a uma golden share, assegurando poder de veto em decisões estratégicas. O modelo prevê ainda conselhos independentes e dispositivos que impediriam mudanças em elementos tradicionais, como nome, escudo, cores, uniforme e hino.
Outro ponto previsto é a chamada cláusula de reversibilidade, que permitiria ao Corinthians reassumir o controle do futebol em situações específicas, como má gestão comprovada, desequilíbrio financeiro grave, descumprimento de obrigações essenciais ou qualquer tentativa de descaracterização da identidade do clube.
Embora tenha natureza predominantemente não vinculante, a proposta inclui uma cláusula obrigatória caso haja assinatura entre as partes. Nela, a Invasão Fiel se compromete a buscar recursos antecipados durante a fase de auditorias e diligências, antes mesmo da captação pública prevista no projeto.
Entre as possibilidades está a quitação antecipada da dívida da Neo Química Arena junto à Caixa Econômica Federal. Segundo os idealizadores, a medida teria como principal objetivo liberar receitas atualmente comprometidas com o financiamento do estádio. Caso a operação não seja concluída, os valores investidos seriam convertidos em crédito em favor da Invasão Fiel, em condições a serem definidas posteriormente.
O documento estabelece ainda que todos os custos relacionados à auditoria independente, que deverá ser realizada por uma empresa do grupo das chamadas Big Four, serão integralmente arcados pela própria Invasão Fiel, independentemente do resultado das negociações.
Pelo cronograma apresentado, a fase de diligências e avaliações independentes deve durar aproximadamente 6 meses. Já uma eventual aprovação da SAF pelos associados do Corinthians poderia ocorrer cerca de 300 dias após a assinatura da carta de intenções, enquanto a implementação definitiva do modelo seria concluída em aproximadamente um ano.
Além da apresentação formal da proposta, a SAFiel iniciou uma mobilização para incentivar que o projeto seja analisado pelos órgãos competentes do Corinthians. Para isso, foi criada a plataforma digital “SAFiel Já!”, destinada a reunir manifestações favoráveis à abertura do debate sobre o futuro administrativo e financeiro do futebol alvinegro.
Segundo os organizadores, a iniciativa não busca aprovar previamente a implementação da SAF, mas estimular a discussão sobre alternativas para a reestruturação do clube. De acordo com números divulgados pela própria SAFiel, mais de 40 mil torcedores já haviam aderido ao movimento até a manhã desta quinta-feira (11).
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